28/11/2011
Produtores e indústria se juntam para discutir os rumos da tomaticultura
Representantes do campo e da indústria defendem maior parceria para garantir a sobrevivência da produção brasileira no mercado mundial
O 5º Congresso Brasileiro de Tomate Industrial, que desde quarta-feira reuniu estudantes e representantes da indústria e do agronegócio no Centro de Convenções de Goiânia, foi encerrado com o painel “Análise econômica da cultura do tomate industrial: A visão do produtor e da indústria”. O painel foi formado por pelos dois lados da produção do tomate, e os representantes de cada um destacou suas exigências e necessidades para que o mercado brasileiro se torne ainda mais competitivo diante de outros gigantes da agroindústria.
A indústria foi representada pelo diretor agrícola da Cargill, Rogério Rangel, e pelo coordenador agrícola do Grupo Predilecta, Nivaldo Sebastião Zanineti. Já Irom de Lima Rodrigues, da região de Itaberai e Renato Sorgatto, de Cristalina, expuseram o ponto de vista dos produtores da hortaliça no Estado. Apesar de divergência no posicionamento, ambos defenderam que é necessária uma evolução tecnológica para que o mercado brasileiro ganhe força diante de países campeões na área da tomaticultura, como os Estados Unidos e a China.
O produtor Renato Sorgatto explicou que o cultivo de tomate substituiu a cultura de feijão e milho em muitas propriedades do Estado por ter um preço mais estável. Apesar desse atrativo, a produção ainda enfrenta dificuldades pela ausência de um acordo comercial previamente estabelecido com a área industrial, de modo que a colheita se encaixe com as necessidades da empresas. Segundo ele, uma relação comercial com contornos mais definidos seria mais uma forma de evitar prejuízo para ambas as partes.
Nivaldo Sebastião, do Grupo Predilecta, reforçou que a empresa deve realmente caminhar ao lado do agricultor e que está é uma ideia que deve, de fato, estar inserida na mente dos grandes executivos da área. Ele afirmou que é preciso, principalmente, ser realizados investimentos no campo para que a qualidade obtida até o momento não se perca no futuro.
Desafios no mercado mundial
Na tomaticultura, o tomate também é classificado por sua capacidade de gerar derivados de sua polpa, classificados como sólidos solúveis (ou Brix). Quanto maior o seu teor, maior será o rendimento industrial e menor o gasto de energia no processo de concentração da polpa. Esta classificação influencia fortemente no custo final do produto. O Brasil, por exemplo, gasta cerca de R$27,22 dólares para converter a tonelada do tomate em sólido solúvel, enquanto que os gastos dos EUA chegam a R$15,93 e a China R$16,56. Desta forma, os produtos concorrentes atingem um preço final mais atrativo e competitivo, com uma fatia maior da exportação.
Por isso, os palestrantes defenderam a consolidação da cadeia produtiva com a participação não apenas do agricultor e da indústria, mas de todos os setores da área agrícola, sobretudo para o desenvolvimento de insumos mais eficientes e baratos.
O produtor Irom Rodrigues também reforçou a ideia de que o campo deve andar ao lado das empresas e da tecnologia. Para ele, como os custos do tomate são estáveis em todo o mundo, em torno de R$100 dólares a tonelada, o que torna um produto diferenciado é a produtividade que deve evoluir tecnicamente para que consiga manter a estabilidade do preço do tomate e a lucratividade diante do concorrente.
Compondo a mesa no painel de encerramento do Congresso Brasileiro de Tomate Industrial Nivaldo Sebastião Zanineti, Rogério Rangel, Adriana Moraes, Renato Sorgatto e Irom de Lima Rodrigues.
Foto: Mário Braz Manzi Muniz