28/11/2011
Troca de experiência internacional marca o segundo dia do Congresso Brasileiro de Tomaticultura
Brasil, Portugal e Espanha participaram de painel sobre a atividade da tomaticultura em suas regiões
O segundo dia do 5º Congresso Brasileiro de Tomaticultura foi de intercâmbio de ideias com o painel "Experiência da tomaticultura industrial no Brasil, Portugal e Espanha. Cada país foi representado por um palestrante que expôs as características peculiares da tomaticultura, agregando valores e aprendizado entre os presentes.
O painel iniciou-se com as experiências na agroindústria brasileira, representada pelo executivo da Eagle Brasil, o engenheiro agrônomo Ângelo Augusto Picin Oioli. Na ocasião, foi apresentado um histórico da evolução da área no país, desde o primeiro processamento de tomate, realizado há cerca de 100 anos em Pernambuco, até os dias atuais.
Ângelo destacou as dificuldades enfrentadas no país, em especial na década de 80, quando as indústrias enfrentavam o baixo rendimento do tomate, custos elevados na produção, além de momentos de desabastecimento das indústrias decorrentes da falta de sinergia entre o agricultor e o industrial. Com o tempo, as indústrias perceberam a necessidade do planejamento em suas atividades e passaram a se organizar com os produtores e agentes financiadores. Com isso, as empresas passaram a entender o agricultor e vice-versa, dando início ao bom momento vivido no país até hoje.
Com a tecnologia, veio o tomate híbrido, mais rentável e resistente, novos maquinários, capazes de aproveitar melhor a fruta, e, consequentemente, um aumento considerável da produtividade. Em Goiás, de 300 toneladas produzidas em 1990, passou para mais de 1,4 milhões de toneladas em 2010, com melhor aproveitamento da área de cultivo.
Segundo o palestrante, mesmo com avanços, ainda há muito que melhorar para aperfeiçoar a produção do tomate industrial. Questões como o preparo do solo, irrigação, nutrição e colheita ainda deixam a desejar.
Juan Ignácio Macua, Angelo Augusto Picin Oioli, Leonardo Costa Fonte e Claudia Isabel Queiroz Lopes tiram dúvidas dos participantes.
Foto: Mário Braz Manzi Muniz
Experiência espanhola
Logo após a palestra do Brasil, veio a Espanha, representada pelo Doutor em Agronomia, Juan Ingnácio Macua. Juan é pesquisador do Instituto Técnico de Gestão Agrícola de Navarra, que atua como uma empresa pública de suporte e assessoria a agricultores locais. Além do apoio contínuo, a empresa também atua na área de pesquisa na agricultura e produção. Em sua apresentação, o pesquisador destacou as peculiaridades da Espanha, em especial a região de Navarra, que, apesar de possuir apenas 2 mil hectares, é hoje um dos grandes produtores do país graças aos avanços da tecnologia.
Segundo Macua, o tomate é um dos principais alimentos consumidos na Espanha e ingrediente tradicional da culinária mediterrânea. Na Europa, a Espanha tem o posto de maior produtor com cerca de 13 milhões de toneladas anuais. Destas, três toneladas vão diretamente para o processamento de derivados. Para conquistar estes números, a Espanha passou por inúmeros desafios. Desde o trato diferenciado de suas regiões, que possuem solos com características diferenciadas como acidez e nutrientes, até as dificuldades impostas pelo clima mediterrâneo. Para suportar os períodos sem chuva, que chegam a durar de 4 a 5 anos, foram criados reservatórios de abastecimento para todo tipo de consumo, inclusive a irrigação. O uso de tecnologias mais limpas, como a energia eólica também foi utilizada como forma de redução dos gastos.
Portugal e seus desafios
Portugal por sua vez, foi representado por Cláudia Isabel Queiroz Lopes, coordenadora de ensaios de variedades de hortículas da empresa Ibersem, especializada em produtos para agricultura, e que promove atividades de experimentação, avaliação, registro de hortículas e assessoria a agricultores e a indústria.
Claudia explanou sobre os avanços de Portugal que hoje exporta 95% de seu tomate industrializado para todo mundo, principalmente para a Europa. Atualmente, conta com oito fábricas, 24 organizações produtoras com 510 produtores distribuídos em 15.016 hectares. Além disso, a palestrante destacou também a sinergia entre as organizações e as fábricas que trabalham em conjunto no acordo comercial de compra e venda da produção, o que beneficia ambos os lados. 80% do tomate é cultivado na região de Ribatejo, com solos ricos de aluvião, às margens do rio Tejo e ao longo do rio Sorraia.
Infelizmente, a perspectiva portuguesa vem-se tornando pessimista com a atual crise econômica. Os subsídios fornecidos pelo governo deixarão de existir, o que fará com que outras culturas tomem o lugar do tomate como, por exemplo, o milho. Também haverá problema com a concorrência do mercado externo onde países concorrentes ofertarão produtos mais baratos, além de um possível desabastecimento da indústria em 40% a 50%.
Ao final das apresentações, foi aberto um espaço para perguntas e respostas no qual os convidados apresentaram suas dúvidas a respeito das diferentes peculiaridades da agricultura portuguesa e espanhola. Para os espectadores, a experiência foi gratificante. A professora Abadia dos Reis Nascimento, que assistiu a todas as apresentações, considerou o painel de grande importância devido a possibilidade de comparação dos diferentes métodos de cultivo e como os resultados finais são obtidos. Para o palestrante Ângelo Augusto, as vivências diferentes de cada país na tomaticultura servem para nortear o produtor e a indústria brasileira.