24/11/2011
Goiânia sedia 5º Congresso Brasileiro de Tomate Industrial
Nutrição mineral de hortaliças e a história da tomaticultura no Cerrado foram temas discutidos na dia de abertura do evento
O primeiro dia do 5º Congresso Brasileiro de Tomate Industrial foi dirigido a empresários e estudantes da área. No início da tarde, os inscritos no minicurso “Manejo da nutrição mineral de hortaliças” puderam aprender um pouco mais sobre o tema com o pesquisador da Embrapa Hortaliças na área de solos e nutrição de plantas, Ítalo M. R. Guedes. Durante duas horas, o estudioso falou sobre os princípios da nutrição mineral, que corresponde aos elementos químicos necessários para que a planta possa se desenvolver e produzir, e a forma de se utilizar esses conhecimentos no manejo racional da adubação de hortaliças.
Um dos principais objetivos da Embrapa Hortaliças é justamente conscientizar o produtor de que adubar bem não significa adubar demais. Isso porque, entre outras consequências, a adubação excessiva gera maiores gastos ao produtor e também ao meio ambiente, quando causa a poluição do solo e da água. O pesquisador explica que uma importante medida para se fazer a adubação de forma correta é a análise do solo, pois, a partir daí, é possível saber com exatidão quais nutrientes a planta ainda precisa para seu bom desenvolvimento e que não estão presentes no solo. Ele ressalta que o custo de um serviço como esse, que gira em torno de R$50,00, é irrisório perto do ganho que o produtor terá com a sua colheita.
Logo após a exposição de Ítalo Guedes, que contou com a participação de um público bastante interessado, o professor doutor da USP/Esalq Paulo César Tavares de Melo abordou o tema do Congresso: Tomate Industrial no Cerrado - 25 anos de História e uma visão futura. Ele explicou que o Cerrado (mineiro e goiano) faz parte do quarto ciclo do tomate no Brasil. O primeiro ciclo ocorreu no agreste de Pernambuco, entre os anos de 1914 e 1998, trazendo progresso para uma região pobre do país. No estado de São Paulo se desenvolveu o segundo ciclo, que começou nos anos 1930 e dura até os dias de hoje. De 1970 aos anos 2000, no Vale do São Francisco (PE/BA) e nos Perímetros Irrigados do DNOCS (PE/PB), o terceiro ciclo fez a sua história.
De acordo com o professor, o potencial do Cerrado na produção de tomate para processamento industrial, já nos anos 70, era indicado em grandes pesquisas. Desde a instalação da primeira fábrica em Morrinhos no ano de 1986, o tomate industrial tem se desenvolvido bastante, ao ponto de alcançar uma produção estimada para 2011 de 1,2 milhões de toneladas.
Alguns fatores contribuíram para essa expansão: política de incentivos fiscais, condições agroclimáticas favoráveis, posição do estado próxima a grandes centros urbanos, disponibilidade de terra e mão-de-obra, produtores com alto nível técnico e topografia favorável à mecanização.
Os desafios e perspectivas para o futuro da tomaticultura industrial no cerrado também foram assuntos da palestra do professor Paulo César. Maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento por parte do setor público, rigor com o cumprimento do calendário de cultivo do tomate industrial em Goiás, aumentar a capacidade instalada de processamento das fábricas, ampliação da oferta de energia elétrica são algumas das ações que, segundo o professor, são essenciais para fomentar o desenvolvimento dessa indústria em Goiás.
Após a palestra, foi realizada a cerimônia de abertura do Congresso e oferecido um coquetel para os participantes.